Ontem 13/09 aqui no Rio , assisti o filme Aquarius, que teve sua primeira exibição no festival de Cannes em maio desse ano, e é lindamente estrelado pela Sônia Braga, até postei no nosso insta (segue aqui 😉 ).

Discuti o filme com a minha mãe, tivemos pontos de vista diferentes em alguns momentos, voltamos para casa, mas algo ficou martelando na minha cabeça… Qual seria a real essência do filme? Eu havia entendido a história, mas sempre gosto de “pegar o feeling”, sabe como é? Mas dessa vez algo ficou no ar, para mim.

Fui atrás das críticas, que por sinal, são incríveis! E dei uma olhada no que o roteiro gostaria de transmitir.

Bom, daqui pra frente vou falar de coisas que aconteceram no filme e se você não quiser saber, dá uma olhada no nosso último post 😉

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Além de vários assuntos polêmicos como corrupção, chantagens, entre outros, existe Clara (Sônia Braga). Ela é aposentada e super independente. Mora sozinha em frente a praia, é viúva, têm três filhos crescidos, teve uma bela carreira como jornalista e um câncer do qual se curou a anos atrás. Mas nas entrelinhas, a história mostra como Clara é apegada. Apegada nas suas memórias, e isso fica visível toda vez que a cômoda que ela tem na sala, aparece na câmera.

O apartamento dela é o último de uma “versão antiga” que beira a orla da Praia de Boa Viagem (Recife), e também é o único que está sendo habitado no Ed. Aquarius. Diego (Humberto Carrão), um rapaz recém formado em arquitetura e cheio de garra, quer porque quer, que Clara saia logo do prédio, com o discurso de que o novo edifício será melhor que esse. Mas ela bate o pé, todo tempo.

Além disso, o filme relata que em tempos atuais de tecnologia com a internet, pen drives, mp4, Clara mantém inúmeros discos de vinil, completamente organizados e que funcionam muitíssimo bem quando ela os coloca em sua vitrola, para tocar.

Com todas as artimanhas que Diego usa para que Clara desista e saia logo do edifício, o lugar se torna um tanto quanto perigoso, mas nem assim, ela cogita a ideia de sair de lá. Afinal de contas, foi o ambiente que ela criou os filhos, foi feliz com o marido, viveu e acordou por todos esses anos.

E isso me fez pensar… Até onde, realmente, é válido batermos tanto pé em coisas que já passaram e se tornaram apenas memórias? Ou, até que ponto o novo pode ser melhor, só porque é novo? De repente, o antigo é bem melhor, é mais aconchegante, já tá ali moldadinho. O novo é desconhecido, causa angústias e ainda existe o “será que vai ser melhor mesmo?”.

Pensando em tudo isso, acredito que as respostas sempre estarão dentro da gente. Não dá para explicar, mas sabemos que sabemos. É engraçado. No fundo, a gente entende o que vale a nossa teimosia, e entende, também, o que é melhor deixar pra trás. É só uma questão de hábito, de se conhecer, e de querer ou não sair da famosa “zona de conforto”.

E Clara acreditava que valia a pena, que não era por ser um prédio melhor e novinho em folhas, que seria realmente melhor. O antigo para ela significava seu lar, o lugar que ela sabe milimetricamente onde tudo se encaixa. O mesmo chão que seus filhos pisaram bebês é o chão que ela quer que seu neto continue a pisar. É loucura? É apego? É carência? Olha, eu acredito que cada um tem o que achar, mas só quem vive, sabe da sua vida…

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E você, prefere O velho ou O novo? Vem cá e me conta!

 

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